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Início » Blog » O cérebro do empreendedor também pode sabotar o negócio
Business

O cérebro do empreendedor também pode sabotar o negócio

LucaBy Lucasetembro 23, 2026Updated:outubro 1, 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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Mesmo com dados e inteligência artificial à disposição, padrões mentais podem empurrar líderes para decisões ruins e limitar o crescimento das empresas

Empresas ampliam o uso de inteligência artificial, automação e análise de dados para ganhar produtividade, reduzir custos e tomar decisões mais rápidas. Mas a tecnologia não elimina uma variável capaz de interferir diretamente no crescimento da empresa: o cérebro do empreendedor. Vieses cognitivos, respostas emocionais e padrões de comportamento podem afetar desde a contratação de profissionais até investimentos, definição de prioridades e mudanças de estratégia.

Para Thiago Shimada, bacharel em Comunicação Social, com pós graduação em Neurociência e especialista em neuromodulação aplicada ao mecanismo decisório de donos de negócio e profissionais da alta liderança, parte dos obstáculos ao crescimento surge quando a empresa evolui mais rapidamente do que a forma de pensar de quem está no comando. “O cérebro do empreendedor pode se tornar o principal gargalo da empresa quando decisões que funcionaram no passado passam a ser repetidas automaticamente. O negócio muda de tamanho, aumenta a complexidade, mas o líder continua respondendo aos problemas com as mesmas referências”, afirma Shimada.

Quando a experiência começa a atrapalhar

Uma das explicações está nos vieses cognitivos, atalhos utilizados pelo cérebro para processar informações e fazer escolhas. O mecanismo faz parte do comportamento humano, mas pode distorcer a percepção sobre riscos, oportunidades e resultados quando não é reconhecido por quem decide.

O viés de confirmação é um exemplo. Ele leva uma pessoa a valorizar informações que reforçam aquilo em que já acredita e a dar menos peso às evidências contrárias. Na gestão empresarial, isso pode fazer um empreendedor insistir em uma estratégia porque procura dados que confirmem sua decisão, mesmo quando outros indicadores apontam a necessidade de mudança.

A aversão à perda também pode levar empresários a manter projetos e estratégias que já não entregam o retorno esperado. “A experiência ajuda a reconhecer padrões, mas também pode criar certezas difíceis de questionar. Quando o líder acredita que já sabe como uma situação vai terminar, aumenta o risco de interpretar os fatos pelas experiências anteriores”, explica o estrategista de Business Performance.

A discussão ganha relevância à medida que a inteligência artificial ocupa mais espaço na gestão das empresas. Segundo o AlixPartners Disruption Index 2026, realizado com 3.200 CEOs e executivos seniores de 11 países, 45% dos CEOs afirmam ter ficado para trás em conhecimentos e competências, enquanto 80% dos executivos estão otimistas com o impacto da inteligência artificial nas companhias. O contraste expõe um desafio para a liderança: as ferramentas conseguem cruzar dados, identificar padrões e produzir projeções rapidamente, mas a decisão sobre como interpretar essas informações e quais caminhos seguir continua nas mãos dos gestores.

Inteligência artificial não elimina decisões ruins

Para o especialista em neuromodulação, adotar ferramentas mais sofisticadas não garante melhores decisões se o comportamento de quem está no comando continuar fora da análise. Um gestor pode receber indicadores contrários à própria percepção e, ainda assim, ignorar esses dados ou buscar justificativas para manter uma escolha anterior.

“A inteligência artificial pode entregar uma análise sofisticada, mas não obriga ninguém a aceitá-la. Se o empresário procura apenas informações que confirmem aquilo em que já acredita, pode usar uma tecnologia nova para continuar tomando decisões antigas. O cérebro do empreendedor continua sendo parte central dessa equação”, ressalta o especialista em neuromodulação.

Na prática, melhorar a tomada de decisão empresarial passa por estabelecer critérios objetivos antes de escolhas importantes, confrontar percepções com indicadores, ouvir opiniões divergentes e identificar comportamentos que costumam se repetir diante de pressão, risco ou necessidade de mudança.

A dificuldade tende a ficar mais evidente conforme a companhia cresce. Uma escolha que antes afetava poucas pessoas passa a envolver equipes maiores, investimentos, fornecedores, clientes e planejamento financeiro. A capacidade do empresário de revisar convicções deixa de ser apenas uma característica individual e passa a interferir diretamente na estratégia e na performance da organização.

“O comportamento que levou uma empresa até determinado patamar não necessariamente será o mesmo que permitirá chegar ao próximo. Existe um momento em que o empresário precisa deixar de perguntar apenas o que deve mudar no negócio e começar a observar o que precisa mudar na própria forma de decidir”, aponta Shimada.

Sobre Thiago Shimada

Thiago Shimada, conhecido como Shimada Sensei, é estrategista de Business Performance e especialista em neuromodulação aplicada ao mecanismo decisório de donos de negócio e profissionais da alta liderança. É bacharel em Comunicação Social pela FAAP e pós-graduado em Neurociência pela Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, com formações complementares em psicodinâmica, psicanálise, psicologia aplicada a negócios, liderança e inteligência emocional.

Com mais de 20 anos de trajetória profissional, iniciou a carreira na publicidade, onde chegou à posição de diretor de criação, antes de migrar para o empreendedorismo. É fundador da Academia da Marca, agência de comunicação com metodologia própria voltada à cultura organizacional, estratégia e performance empresarial.

Há mais de 13 anos como empreendedor, Thiago conecta neurociência, comportamento humano e estratégia empresarial para compreender como padrões comportamentais, emoções e mecanismos inconscientes influenciam a tomada de decisão de líderes e os resultados das empresas. Também atua como palestrante, abordando temas como liderança, inovação, cultura organizacional e performance, e já levou seu conhecimento a organizações como AWS, Nestlé, TIM, Epson, Reclame Aqui e OAB São Paulo.

Para mais informações, acesse o site,Instagram e ouLinkedIn.

Fontes de Pesquisa

AlixPartners
“CEOs Increasingly See Disruption as the Norm and Worry About Ability to Keep Pace With Change, According to AlixPartners’ 2026 Disruption Index”
https://www.alixpartners.com/newsroom/2026-alixpartners-disruption-index/

AlixPartners
“2026 AlixPartners Disruption Index”
https://www.alixpartners.com/media/cm3dkfqp/2026-alixpartners-disruption-index.pdf

McKinsey & Company
“Biases in decision-making: A guide for CFOs”
https://www.mckinsey.com/capabilities/strategy-and-corporate-finance/our-insights/biases-in-decision-making-a-guide-for-cfos

(Crédito: Divulgação)

Thiago Shimada
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Luca

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