Fábrica de Cultura de Iguape combina preservação do patrimônio histórico e construção industrializada; solução permitiu montagem rápida, estruturas leves e menor geração de resíduos

Uma antiga cadeia do século XIX ganhou uma nova função em Iguape, no litoral de São Paulo. O edifício histórico foi transformado na Fábrica de Cultura de Iguape, equipamento público que une preservação do patrimônio e arquitetura contemporânea por meio de um novo anexo construído com estrutura em aço.

O projeto, desenvolvido pelo H+F Arquitetos e assinado por Eduardo Ferroni e Pablo Hereñú, teve como um de seus principais desafios inserir uma nova edificação em diálogo com a construção preexistente, sem apagar as características históricas do imóvel e, ao mesmo tempo, conferindo identidade própria à nova estrutura.

“A arquitetura buscou uma relação de contraste do ponto de vista dos materiais e das linguagens. O sistema construtivo em aço, com os seus fechamentos metálicos, foi o ponto de partida para pensar esse projeto”, destaca Pablo Hereñú, sócio-diretor da H+F Arquitetos.

Além da integração entre o antigo e o contemporâneo, o prazo reduzido para execução da obra foi determinante para a escolha do sistema construtivo. As características do núcleo urbano de Iguape, com ruas estreitas e limitações logísticas, também exigiram uma solução baseada em peças menores, leves e pré-fabricadas, facilitando o transporte e a montagem.

O novo anexo abriga áreas de acolhimento e apoio técnico, além de salas destinadas a circo-escola, dança, música e laboratório. A intervenção incorporou estrutura metálica, pisos em painel wall, drywall, chapas trapezoidais, caixilhos de alumínio, cobogós cerâmicos e uma cobertura tradicional reinterpretada a partir da precisão proporcionada pelo aço.

“Nós optamos por trabalhar com o sistema construtivo em aço desde o início. Todo o raciocínio espacial da arquitetura teve como ponto de partida essa decisão, partindo da escala dos espaços, passando pelas dimensões dos vãos e culminando com os demais elementos construtivos”, reforça Hereñú.

Os sistemas de vedação também foram industrializados, com uso intensivo de drywall. Segundo o arquiteto, as características do aço são especialmente relevantes em projetos de reutilização e transformação de edificações existentes.

“Conseguimos entrar em um edifício que já existe com essas peças de dimensões menores, mais leves, que já vêm prontas para montagem e que permitem uma sequência de construção a seco com menor geração de resíduos. A tendência é que essa forma de construir ganhe cada vez mais espaço na agenda urbana”, afirma.

Para o Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), o projeto demonstra como a construção metálica pode responder a obras que exigem rapidez e intervenções em estruturas preexistentes. A pré-fabricação e a construção industrializada em aço oferecem características como leveza, precisão, reversibilidade, rapidez de montagem e flexibilidade.

Entre as soluções empregadas está uma chapa microperfurada, utilizada para proporcionar abertura, ventilação e transparência. A estrutura conta ainda com pórticos aparafusados de aço galvanizado, solução adequada às condições ambientais de Iguape, cidade litorânea sujeita à maresia.

“Vale destacar a utilização no projeto de uma chapa microperfurada, que cria abertura ampla, ventilação e transparência, com exigência acústica simples. A estrutura metálica sustenta toda essa operação com rigor, com pórticos aparafusados de aço galvanizado, solução adequada à agressividade ambiental de Iguape, cidade litorânea sujeita à maresia”, explica Hereñú.

Pilares, vigas e contraventamentos receberam pintura intumescente para resistência ao fogo. A superestrutura metálica utiliza aproximadamente 41 toneladas de aço.

Projeto recebeu reconhecimento do IABsp

Concluída em 2025, a Fábrica de Cultura de Iguape foi reconhecida na 27ª Premiação IABsp (Instituto de Arquitetos do Brasil — Departamento de São Paulo), na categoria Restauro, Retrofit e Intervenções Pré-existentes.

Ficha técnica

Projeto arquitetônico/arquitetos responsáveis: H+F Arquitetos / Eduardo Ferroni e Pablo Hereñú
Projeto da estrutura em aço: Steng Projetos Estruturais
Execução da obra: Sarasá
Área construída: 976,80 m²
Montagem da estrutura em aço: TR Soluções Metálicas e Engenharia
Volume de aço empregado: 41 toneladas
Conclusão: 2025
Local: Iguape (SP)

Sobre o CBCA

O CBCA é uma entidade de classe criada em 2002 com o objetivo de ampliar a participação da construção industrializada em aço no mercado nacional, realizando ações para sua divulgação e apoiando seu desenvolvimento tecnológico no Brasil. Tem como gestor o Instituto Aço Brasil e não é uma entidade comercial.

(Crédito: Divulgação)

Share.
Leave A Reply

Exit mobile version