Fundador e CEO da Zarutti Investimentos destaca que a modalidade pode auxiliar no planejamento patrimonial, mas exige organização financeira, flexibilidade de prazo e atenção às regras do contrato
O crescimento do mercado de consórcios tem ampliado o interesse de consumidores que pretendem adquirir imóveis, veículos, máquinas ou outros bens. Em maio de 2026, o Sistema de Consórcios ultrapassou 13 milhões de participantes ativos, marca inédita na série histórica divulgada pela Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC).
Entre janeiro e maio, foram comercializadas 2,36 milhões de cotas, movimentando R$ 232,94 bilhões em créditos. Para Giovanni Zarutti, fundador e CEO da Zarutti Investimentos, o avanço da modalidade também reforça a necessidade de explicar ao consumidor em quais situações a carta de crédito pode fazer sentido.
“Antes de escolher qualquer produto, precisamos entender o fluxo de caixa, o patrimônio, as dívidas, a capacidade financeira e o objetivo do cliente. A decisão deve fazer parte de um planejamento, e não ser tomada apenas pela expectativa de contemplação”, afirma Giovanni.
Embora sejam frequentemente utilizadas como sinônimos, as expressões consórcio e carta de crédito representam etapas diferentes. O consórcio é um sistema de autofinanciamento coletivo. Já a carta de crédito corresponde ao valor previsto em contrato que fica disponível ao participante depois da contemplação, respeitadas as regras, a categoria contratada, a documentação e as garantias exigidas pela administradora.
“O consórcio é o caminho de planejamento. A carta de crédito é o poder de compra proporcionado por esse caminho”, explica o empresário.
Prazo e urgência precisam ser considerados
A modalidade pode fazer sentido para quem consegue se organizar no médio ou longo prazo, possui renda compatível com a parcela e não depende de uma data exata para adquirir o bem.
Isso ocorre porque, em um consórcio ainda não contemplado, a liberação do crédito acontece por sorteio ou lance nas assembleias e depende da existência de recursos no grupo. Portanto, não há garantia de contemplação imediata.
Para quem pretende trocar de carro nos próximos anos, comprar o primeiro imóvel, adquirir um terreno ou preparar a expansão de uma empresa, antecipar o planejamento pode evitar uma decisão tomada somente quando a necessidade já se tornou urgente.
Quando o bem precisa ser utilizado imediatamente, a comparação muda. Financiamento, recursos próprios ou uma cota já contemplada podem ser alternativas mais compatíveis, sempre depois da análise das condições e dos custos envolvidos.
“Não existe um produto financeiro ideal para todo mundo. A pergunta correta é qual instrumento utilizar, em que momento e em qual proporção”, destaca Giovanni Zarutti.
Imóveis, veículos e bens produtivos
No segmento imobiliário, a carta de crédito pode ser utilizada, conforme as condições contratuais, para a aquisição de imóveis prontos ou na planta, terrenos, construção e reforma.
A estratégia pode atender quem busca a primeira moradia, pretende trocar de imóvel ou deseja estruturar a aquisição de um bem voltado à formação de patrimônio.
Nos veículos, a lógica também está relacionada à antecipação. Pessoas que já sabem que precisarão trocar o automóvel e empresas ou profissionais que dependem de veículos para trabalhar podem organizar a compra com antecedência, em vez de procurar crédito apenas diante de uma necessidade imediata.
A regulamentação também admite grupos referenciados em máquinas e equipamentos, aeronaves, embarcações, outros bens móveis e determinados serviços. Isso pode atender empresários, produtores e profissionais que precisam adquirir bens produtivos.
A finalidade da carta, entretanto, deve respeitar a categoria e as regras estabelecidas no contrato. O recurso não pode ser apresentado como dinheiro livre para qualquer finalidade nem como uma linha genérica de capital de giro.
Valor da parcela não revela o custo completo
Segundo Giovanni, um dos erros mais comuns é escolher um plano considerando somente o valor mensal da parcela.
Antes da contratação, o consumidor deve avaliar o valor total do crédito, o prazo, a taxa de administração, a eventual cobrança de fundo de reserva e seguros, os critérios de reajuste, as regras de sorteio e lance, as condições de cancelamento e transferência e as garantias exigidas depois da contemplação.
Também é importante verificar se a administradora está autorizada pelo Banco Central, consultar o histórico de reclamações e ler o contrato e o regulamento antes de efetuar qualquer pagamento.
Embora o consórcio não tenha juros no mesmo formato de um financiamento, isso não significa ausência de custos. Taxa de administração, reajustes e outros encargos previstos precisam fazer parte da comparação. Da mesma forma, uma parcela reduzida não representa necessariamente um custo total menor.
Quando a modalidade pode não ser indicada
Giovanni recomenda cautela quando a parcela compromete excessivamente a renda, quando o cliente está muito endividado, não possui organização financeira mínima ou ingressa no produto contando com uma promessa de contemplação garantida.
A ausência de reserva financeira também deve ser considerada. No método adotado pela Zarutti Investimentos, uma das referências iniciais é a existência de uma reserva equivalente a pelo menos três meses de despesas, ajustada à realidade financeira de cada pessoa.
“O objetivo é construir patrimônio, e não criar um compromisso que coloque o orçamento em risco. Decisões guiadas por estratégia precisam considerar o perfil real do cliente”, afirma.
À vista, financiamento ou consórcio?
O pagamento à vista pode ser vantajoso quando há liquidez suficiente, possibilidade de desconto e a retirada dos recursos não compromete a reserva financeira.
O financiamento pode atender situações de urgência, nas quais o cliente precisa utilizar o bem imediatamente e encontra condições adequadas de crédito.
Já o consórcio pode ser avaliado quando existe capacidade mensal de pagamento, flexibilidade de prazo e disposição para planejar a aquisição.
Depois da contemplação, caso o crédito ainda não seja utilizado, o valor correspondente é separado dos recursos do fundo comum e recebe rendimentos de aplicação financeira até sua utilização. Esse rendimento não deve ser confundido com o reajuste periódico do valor do crédito, que segue o índice ou indicador definido em contrato.
Para Giovanni Zarutti, comparar as alternativas antes de apresentar um produto é o que transforma uma contratação em planejamento.
“A avaliação precisa começar pela situação financeira, pelo objetivo e pela urgência do cliente. Somente depois disso deve avançar para a escolha entre consórcio, financiamento ou recursos próprios”, conclui.
Sobre a Zarutti Investimentos
A Zarutti Investimentos é uma empresa de soluções de crédito e planejamento patrimonial sediada em Campos do Jordão, com atendimento a clientes em todo o Brasil e a brasileiros que vivem no exterior.
Fundada por Giovanni Zarutti, atua com consórcios, cartas de crédito, créditos contemplados, financiamentos e home equity, oferecendo análise individualizada e acompanhamento durante o processo.
(Fotos: Arquivo Pessoal)


