A história do surfista paulista não pode ser contada apenas por títulos, ela precisa ser lida como um projeto de resistência de longo prazo. Desde a adolescência, quando aos 16 anos decidiu intensificar sua dedicação ao esporte, Anhelli passou a tratar o surf não como lazer, mas como construção estratégica de carreira. Aos 22, tornou-se o segundo surfista do Estado de São Paulo a alcançar o status profissional — um feito que já o colocava em posição de destaque.

Sua carreira sempre foi marcada por desafios extremos, riscos e encarando provas de alta exigência física e mental.
Ele enfrentou mar storm no Morro do Maluf, no Guarujá, ganhou reconhecimento da mídia especializada pela coragem em condições extremas, figurou entre os 80 melhores do ranking mundial e alcançou o TOP 16 do Circuito Paulista de Surf Profissional. Com alto nível técnico, especializou-se em manobras de junção, floater e rasgadas, movimentos que exigem leitura rápida da situação das ondas, força e controle absoluto.
Em 2005, consolidou seu nome internacionalmente ao conquistar o título de Recordista Mundial pelo Guinness World Records, ao surfar 308 ondas consecutivas em sete horas no Splash Beach Park. Um número expressivo, mas que para ele nunca foi ponto final.
A carta que mudou o rumo
Em 2007, uma carta assinada pelo próprio Guinness, abriu um novo horizonte: o convite para a Maratona do Surf. Ali nascia uma ideia que levaria anos para ganhar estrutura, transformar o surf em uma prova de ultra resistência contínua.
O desafio exige mais do que preparo físico. Exige engenharia esportiva. Desde então, Arno e sua equipe passaram a estudar profundamente a dinâmica das piscinas de ondas, variáveis climáticas, constância de séries, regras internacionais e gerenciamento do esforço ao longo das horas. O objetivo: criar as condições técnicas ideais para sustentar um feito inédito.
O deserto como palco
É em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, que esse projeto ganha forma definitiva. No Park Al Ain Adventure, uma das estruturas mais estáveis do circuito internacional de ondas artificiais, acontece o Surf Marathon Wave Pool, um evento que propõe 25 horas ininterruptas de surf sob validação oficial.
O cenário é simbólico: água no deserto. Tecnologia a serviço da resistência humana.
Aqui, o adversário não é outro atleta. É o tempo.
Não há bateria. Não há intervalo convencional. Há continuidade, esforço, técnicas e desafio da própria resistência.
A proposta não é apenas bater um recorde. É redefinir a percepção do que significa resistência no surf contemporâneo.
Uma plataforma além do esporte
O Surf Marathon Wave se posiciona como mais do que um desafio atlético é uma plataforma estratégica de projeção internacional. Une inovação, performance extrema e narrativa global em um ambiente altamente midiático.
Empresas que se associam ao projeto conectam suas marcas a valores de superação, disciplina, tecnologia e construção de legado. Em um mundo corporativo que busca autenticidade, a resistência humana torna-se storytelling real.
A lógica da permanência
Arno Anhelli já provou que pode quebrar marcas.
Agora, ele testa algo mais complexo: a própria permanência e resistência.
Seu histórico mostra coragem em mares revoltos, técnica em circuitos mundiais e foco em metas de longo prazo. Mas o que está em jogo em Abu Dhabi transcende números é a consolidação de uma identidade construída ao longo do tempo.
Se o surf tradicional é feito de segundos decisivos, o Surf Marathon é feito de desafio de horas consecutivas e determinação.
E talvez seja essa a maior inovação de sua trajetória: Ampliar seus limites e redefinir seu próprio conceito de performance no esporte.