Busca pelo sorriso extremamente branco pode levar ao uso excessivo de produtos clareadores, aumentar a sensibilidade e provocar irritações e queimaduras na gengiva

Ter dentes brancos virou sinônimo de sorriso perfeito para muita gente. Mas quando nenhum resultado parece branco o suficiente, a busca estética pode ultrapassar os limites. O comportamento ganhou até um nome popular: “brancorexia”, expressão usada para descrever a obsessão por clarear os dentes continuamente e a insatisfação com a tonalidade alcançada.

A preocupação ganha relevância em um momento em que produtos para clareamento dental estão cada vez mais acessíveis e são amplamente divulgados nas redes sociais. Tiras clareadoras, géis, kits vendidos pela internet e diferentes soluções caseiras podem estimular a tentativa de obter resultados cada vez mais intensos sem acompanhamento profissional.

Para o dentista brasileiro Dr. Johnny Moraes, da Bayview Dentistry, na Flórida, existe um limite para o clareamento, e ele não é igual para todas as pessoas.

“Nem todo dente consegue ou deve chegar ao branco que o paciente tem como referência. Existe uma tonalidade possível para cada pessoa, e fatores como a estrutura do dente e suas características individuais precisam ser considerados. Tentar ultrapassar esse limite repetindo clareamentos pode trazer consequências.”

Entre os problemas associados ao uso excessivo ou inadequado de agentes clareadores estão sensibilidade dentária, irritação dos tecidos da boca e lesões na gengiva. A concentração do produto, o tempo de exposição e as condições prévias da saúde bucal também interferem na segurança do procedimento.

Segundo Johnny Moraes, (https://www.instagram.com/drjohnnymoraes/) um dos erros é começar um clareamento sem saber se existem problemas que precisam ser tratados primeiro.

“Antes de qualquer clareamento, precisamos avaliar a saúde dos dentes e da gengiva. Cáries, retrações, restaurações e outras condições podem mudar completamente a indicação. Clareamento dental é um procedimento estético, mas continua sendo um procedimento odontológico.”

Outro fator que ajuda a alimentar expectativas irreais está nas próprias imagens usadas como referência. Filtros, iluminação, edição de fotografias e sorrisos extremamente brancos vistos nas redes sociais podem criar uma percepção distorcida sobre qual deveria ser a aparência natural dos dentes.

Para o especialista, o sinal de alerta aparece principalmente quando a pessoa obtém um resultado adequado, mas continua insatisfeita e busca sucessivos procedimentos para tornar os dentes ainda mais brancos.

“O problema começa quando a referência deixa de ser um sorriso saudável e passa a ser a busca por um branco cada vez mais intenso. O paciente olha para um resultado que clinicamente já é muito bom e continua achando que precisa clarear mais.”

A tonalidade natural dos dentes varia de pessoa para pessoa e um sorriso saudável não significa necessariamente dentes completamente brancos. Características individuais e a própria estrutura dentária influenciam o resultado possível.

Johnny Moraes defende que a odontologia estética deve trabalhar justamente na direção oposta aos excessos.

“O objetivo do clareamento não deveria ser fazer o dente ficar branco a qualquer custo. É melhorar o sorriso dentro de um limite seguro e natural. Quando estética e saúde entram em conflito, a saúde precisa vir primeiro.”

Mais do que uma discussão sobre aparência, a chamada “brancorexia” chama atenção para um comportamento cada vez mais presente na estética: a dificuldade de reconhecer quando o resultado já é suficiente. No caso dos dentes, insistir em ultrapassar esse limite pode transformar a busca pelo sorriso perfeito em um problema de saúde bucal.

Dr Johnny Moraes

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