Dr. Regis Ramos explica por que o emagrecimento acelerado pode provocar perda de volume e flacidez facial e quais são as alternativas para tratar essas mudanças
A popularização das chamadas canetas emagrecedoras trouxe também uma nova preocupação para os consultórios: as mudanças que uma perda significativa de peso pode provocar no rosto. Perda de volume nas bochechas, olheiras mais profundas, flacidez e alteração no contorno facial estão entre as mudanças que podem surgir após um emagrecimento expressivo.
Segundo o cirurgião plástico Dr. Regis Ramos, essas alterações não são provocadas necessariamente pelo medicamento em si, mas estão relacionadas principalmente à velocidade e à magnitude da perda de peso.
“O fenômeno clínico é real. No entanto, ele não é causado pelo medicamento em si, mas pela velocidade e magnitude do emagrecimento”, explica.
De acordo com o médico, uma perda rápida e expressiva de peso, seja pelo uso de medicamentos, dietas muito restritivas ou cirurgia bariátrica, pode provocar redução da gordura facial. Quando isso acontece em pouco tempo, a pele pode ter mais dificuldade para acompanhar a transformação.
“A gordura facial é um dos primeiros estoques que o corpo consome. Quando ela some rapidamente, a pele não tem tempo hábil para se retrair e se adaptar ao novo contorno, gerando um aspecto mais flácido e descarnado”, afirma.
Nem toda mudança no rosto após o emagrecimento, entretanto, representa um problema. Um rosto mais angulado, com maçãs e linha da mandíbula mais evidentes, pode simplesmente refletir o novo contorno corporal. A atenção aumenta quando aparecem olheiras profundas, bochechas esvaziadas, aprofundamento do sulco nasogeniano e excesso de pele na região da mandíbula.
Para Regis, existem diferentes possibilidades de tratamento, e a escolha depende principalmente do grau de perda de volume e de flacidez. Bioestimuladores de colágeno, preenchimento com ácido hialurônico, ultrassom microfocado e radiofrequência agulhada estão entre as alternativas não cirúrgicas.
“Nos casos de flacidez leve a moderada, em que o principal problema é o esvaziamento e a pele ainda mantém boa elasticidade, os procedimentos minimamente invasivos podem ser indicados. O cuidado é não tentar compensar uma flacidez importante com preenchimento em excesso, porque isso pode resultar em um rosto inflado ou artificial”, alerta.
Quando existe sobra significativa de pele e queda mais acentuada dos tecidos da face e do pescoço, procedimentos cirúrgicos, como lifting facial ou cervical, podem ser considerados. Outra possibilidade é a lipoenxertia facial, técnica que utiliza a gordura do próprio paciente para devolver volume a determinadas regiões.
“Não existe uma resposta única entre preenchimento e cirurgia. A escolha depende do grau de flacidez, da quantidade de volume perdido, da qualidade da pele e do deslocamento dos tecidos. Em casos de flacidez moderada a severa, o lifting permite remover o excesso de pele e reposicionar estruturas profundas que os injetáveis não conseguem corrigir”, explica.
As consequências de uma grande perda de peso também podem aparecer em outras regiões do corpo. Segundo o cirurgião, a flacidez deixa de ser somente uma preocupação estética quando o excesso de pele provoca problemas como assaduras recorrentes, dermatites, infecções em dobras ou desconfortos físicos.
O problema também não está restrito a pessoas mais velhas. Pacientes jovens podem desenvolver excesso importante de pele após emagrecimentos expressivos. Genética, oscilações frequentes de peso, tabagismo e exposição solar acumulada estão entre os fatores que podem influenciar a elasticidade da pele.
Regis destaca ainda que alguns cuidados podem começar durante o próprio processo de emagrecimento.
“O momento ideal para iniciar tratamentos minimamente invasivos focados em colágeno pode ser durante a perda de peso. Estimular a pele enquanto o peso cai ajuda o tecido a se adaptar à nova silhueta. Já para uma abordagem cirúrgica, é importante aguardar a estabilização do peso e fazer uma avaliação individualizada”, afirma.
Para o especialista, portanto, as alterações faciais associadas ao uso das chamadas canetas emagrecedoras precisam ser avaliadas individualmente. A velocidade do emagrecimento, a qualidade da pele, a perda de volume e o grau de flacidez são alguns dos fatores que ajudam a definir se existe necessidade de tratamento e qual abordagem pode ser mais adequada.

Dr Regis Ramos