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Início » Blog » Esperança precisa de escuta
Saúde

Esperança precisa de escuta

LucaBy Lucaagosto 31, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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Setembro Amarelo reforça que perceber mudanças de comportamento, acolher sem julgamentos e oferecer ajuda pode ser decisivo para quem atravessa uma crise emocional

Há pessoas que seguem trabalhando, estudando, cuidando da família e até sorrindo enquanto enfrentam, silenciosamente, um sofrimento difícil de perceber. Com a proximidade do Setembro Amarelo e do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, celebrado em 10 de setembro, o alerta se volta justamente para aquilo que nem sempre é visível. No Brasil, 15.507 mortes por suicídio foram registradas em 2021, segundo publicação do Ministério da Saúde. Naquele ano, o suicídio foi a terceira principal causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos e a quarta entre jovens de 20 a 29 anos. (Serviços e Informações do Brasil)

Para o psicólogo clínico Luti Christóforo, de Curitiba, um dos equívocos é interpretar o comportamento suicida como uma simples vontade de morrer. O próprio Ministério da Saúde reconhece o suicídio como um fenômeno complexo e multifatorial, relacionado à interação de fatores psicológicos, biológicos, sociais, culturais e ambientais. “Muitas vezes, aquilo que aparece como um desejo de morrer é, na verdade, um desejo desesperado de que aquela forma de viver e de sofrer deixe de existir. Quando alguém consegue falar sobre a própria dor e encontra quem esteja verdadeiramente disposto a ouvir, ainda existe uma ponte que pode ser fortalecida entre essa pessoa e a vida”, afirma.

Ao longo de sua trajetória clínica, Christóforo já acompanhou diversos pacientes que chegaram ao consultório vivenciando pensamentos suicidas. Alguns chegaram após uma tentativa, e outros, depois de mais de uma tentativa. “Graças a Deus, até hoje nunca perdi um paciente por suicídio”, afirma o psicólogo. Para ele, essa experiência reforça a importância de levar a sério aquilo que o paciente apresenta, acolher o sofrimento sem julgamentos e construir, junto com ele, possibilidades para atravessar momentos de crise.

Segundo Christóforo, em momentos de sofrimento intenso, a dor pode ocupar tamanho espaço que a pessoa perde temporariamente a capacidade de enxergar alternativas. “É como estar dentro de uma sala escura e acreditar que aquela sala é o mundo inteiro. Às vezes, o primeiro trabalho terapêutico não é resolver todos os problemas. É ajudar a pessoa a atravessar aquela noite, chegar à próxima semana, à próxima sessão e, pouco a pouco, voltar a imaginar que existe um amanhã”, explica.

Com atuação fundamentada também na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, o psicólogo observa que determinados momentos de ruptura podem revelar conflitos, culpas, relações destrutivas, expectativas ou formas de viver que já não conseguem sustentar o indivíduo. Nesse processo, a psicoterapia pode ajudar a compreender o sofrimento e construir novas possibilidades. “Eu já vi pessoas chegarem ao consultório acreditando que não havia mais saída e, meses depois, voltarem a falar sobre sonhos e projetos. A psicoterapia não apaga magicamente a dor, mas cria um espaço para que ela seja colocada em palavras, compreendida e elaborada”, diz Christóforo.

A escuta de familiares, amigos e colegas também pode fazer diferença. O Ministério da Saúde recomenda procurar um momento e um ambiente adequados para conversar com quem apresenta sinais de sofrimento, ouvir com abertura e sem julgamentos e incentivar a busca por atendimento profissional. Em situações de perigo imediato, a orientação é não deixar a pessoa sozinha e procurar serviços de saúde ou de emergência.

Para Christóforo, frases como “pense positivo”, “isso vai passar” ou comparações com problemas de outras pessoas podem produzir o efeito contrário ao desejado. “Nem sempre precisamos encontrar a frase perfeita. Muitas vezes, uma pergunta verdadeira, ‘você está realmente bem?’, seguida da disposição para ouvir a resposta, é muito mais importante.”

Mudanças persistentes de comportamento, isolamento, desesperança, abandono de atividades e projetos, falas recorrentes sobre morte ou ausência de perspectivas merecem atenção, embora nenhum sinal isolado permita prever um suicídio. A prevenção depende de uma abordagem ampla, com acolhimento, redução do estigma e acesso adequado ao cuidado em saúde mental. “Precisamos abandonar a ideia de que pedir ajuda demonstra fraqueza. Conseguir dizer ‘eu não estou dando conta sozinho’ pode ser uma das atitudes mais importantes que uma pessoa toma em sua vida”, destaca o psicólogo.

Para Christóforo, a principal mensagem do Setembro Amarelo deveria permanecer durante todo o ano. A prevenção também acontece nas pequenas atitudes, quando uma família percebe uma mudança, quando um colega observa que alguém deixou de falar sobre o futuro ou quando uma pessoa encontra segurança para admitir que precisa de ajuda. “A vida nem sempre precisa fazer sentido hoje. Em alguns momentos, precisamos criar condições para que ela volte a fazer sentido amanhã. A esperança nem sempre chega como uma grande revelação. Às vezes, ela chega como uma conversa, uma escuta, uma mão estendida ou simplesmente como alguém que permanece”, conclui.

Serviço: Luti Christóforo
Psicólogo clínico
(41) 99809-8887
@luti.psicologo
lutipsicologo@gmail.com
YouTube.com/@lutipsicologo

(Crédito: Arquivo Pessoal / Web)

Luti Christóforo
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Luca

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