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Início » Blog » Filtros e IA ampliam a pressão por um padrão de beleza
Saúde

Filtros e IA ampliam a pressão por um padrão de beleza

LucaBy Lucaagosto 25, 2026Nenhum comentário7 Mins Read
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Redes sociais estão transformando características que antes não incomodavam em novos motivos de comparação e insatisfação com o próprio corpo

Filtros, imagens editadas e conteúdos produzidos por inteligência artificial estão ampliando a exposição a padrões estéticos difíceis de reproduzir fora das telas e reacendendo o debate sobre os efeitos da comparação na percepção do próprio corpo. A discussão ganhou força nos últimos dias após novos comentários sobre a aparência de Ariana Grande circularem nas redes sociais, episódio que trouxe novamente à tona os limites entre preocupação, julgamento e body shaming.

Marco Dallegrave é médico, cirurgião plástico, pós graduado em Psiquiatria e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. À frente da clínica Marco Dallegrave Cirurgia Plástica, atua com procedimentos estéticos, especialmente cirurgias de contorno corporal, mamas e mini lipoaspiração de recuperação rápida. Para o especialista, compreender de onde nasce uma insatisfação pode ser tão importante quanto avaliar aquilo que o paciente deseja modificar.

“Hoje não existe apenas a comparação com outra pessoa. Existe a comparação com fotografias selecionadas, ângulos calculados, filtros e imagens modificadas. Quando essa referência passa a determinar como alguém acredita que deveria ser, a imagem corporal nas redes sociais pode interferir diretamente na expectativa levada para dentro do consultório”, explica Dallegrave.

Comparar também pode gerar gatilhos

A repercussão em torno da aparência da cantora também expôs outro efeito da comparação nas redes sociais. Em meio aos comentários sobre seu corpo, pessoas que convivem ou já conviveram com transtornos alimentares relataram que a circulação das imagens e a discussão sobre magreza funcionam como gatilho para pensamentos e comportamentos relacionados à própria imagem corporal. O episódio mostra como uma publicação sobre a aparência de outra pessoa pode atingir quem apenas acompanha a discussão, mesmo sem participar diretamente dela.

Para o cirurgião plástico, esse mecanismo merece atenção porque a referência deixa de ser apenas externa e passa a interferir na maneira como a própria pessoa se enxerga. “Nem sempre alguém olha uma imagem e pensa conscientemente que gostaria de ter aquele corpo. A comparação pode ser mais sutil. A pessoa começa a questionar medidas, proporções ou características que antes não eram um problema. Quando essa insatisfação passa a orientar decisões sobre procedimentos estéticos, é importante entender o que está por trás desse desejo antes de indicar uma cirurgia”, ressalta.

Quando a imagem digital vira referência

A facilidade de modificar fotografias acrescentou uma nova camada à relação com a aparência. Filtros capazes de alterar pele, nariz, mandíbula, olhos e proporções faciais convivem agora com ferramentas de inteligência artificial que produzem imagens cada vez mais realistas. Com isso, a comparação pode ocorrer não apenas com outras pessoas, mas também com uma versão digitalmente modificada de si próprio.

Um estudo publicado em 2025 na revista científica Body Image, com 397 universitários usuários do TikTok, encontrou associação entre o uso de filtros faciais voltados a melhorar a aparência e maior insatisfação facial e preocupação com a imagem corporal. Os pesquisadores ressaltam que os resultados demonstram associação e não estabelecem uma relação direta de causa e efeito.

“Uma imagem modificada pode funcionar como referência visual, mas não como promessa de resultado. Anatomia, estrutura óssea, pele, distribuição de gordura e proporções são individuais. Quando alguém chega querendo reproduzir exatamente aquilo que viu em um filtro, cabe ao cirurgião explicar os limites e avaliar se existe uma expectativa possível”, aponta o especialista.

O limite entre desejo e expectativa irreal

Querer modificar uma característica física não significa, por si só, que exista uma relação problemática com a própria aparência. Segundo Dallegrave, o alerta aumenta quando a insatisfação muda constantemente, diferentes partes do corpo passam sucessivamente a ser percebidas como defeitos ou o paciente acredita que alcançar determinada aparência resolverá questões afetivas, profissionais ou sociais.

Por isso, a avaliação antes da cirurgia não deve se limitar à possibilidade técnica de realizar o procedimento. Entender há quanto tempo existe o incômodo, qual resultado é esperado e quais referências influenciaram a decisão também ajuda a determinar se a cirurgia plástica é indicada.

“Existe uma diferença entre querer melhorar algo que incomoda de forma consistente e tentar acompanhar um padrão que muda a cada tendência. Se hoje a referência é um corpo e amanhã surge outro, nenhuma cirurgia conseguirá resolver essa comparação permanente”, afirma o cirurgião plástico.

Por que o cirurgião também precisa dizer não

Expectativas incompatíveis com a anatomia, busca recorrente por procedimentos sem satisfação duradoura, intenção de alcançar um resultado idêntico ao de outra pessoa e a crença de que uma transformação física solucionará outros aspectos da vida são situações que exigem cautela.

Para o especialista, nem todo desejo por uma mudança precisa resultar em procedimento. A avaliação médica também envolve reconhecer quando a expectativa ultrapassa aquilo que uma cirurgia pode oferecer.

“O cirurgião também precisa saber dizer não. Quando percebo que a expectativa não corresponde ao que a cirurgia consegue entregar ou que o sofrimento apresentado vai além de uma característica física, operar pode não ser a melhor escolha. Em alguns casos, a conduta mais responsável é não indicar o procedimento”, destaca Dallegrave.

A cirurgia plástica pode contribuir para o bem estar quando existe uma queixa consistente, indicação médica e expectativa compatível com as possibilidades do procedimento. Para Marco Dallegrave, preservar a individualidade ganhou ainda mais importância diante de uma rotina digital marcada por filtros, inteligência artificial, padrões de beleza e comparação constante.

“O objetivo não deveria ser sair de uma cirurgia parecido com aquilo que aparece repetidamente na tela. Eu costumo dizer que a beleza vem de dentro, e isso significa entender o próprio valor, respeitar a própria individualidade e não depender da aprovação dos outros para se sentir bem. A cirurgia pode modificar características físicas, mas não deve carregar a responsabilidade pela autoestima ou pela felicidade de uma pessoa”, afirma o cirurgião plástico.

“Quando a pessoa consegue separar aquilo que realmente deseja da pressão externa e da comparação, a decisão de operar se torna mais consciente. A mudança pode acontecer por fora, mas a forma como cada um se enxerga precisa ser construída de dentro para fora”, conclui Dallegrave.

Sobre Marco Dallegrave

Dr. Marco Dallegrave é médico formado pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná (FEMPAR), com residência em Cirurgia Geral pela Santa Casa de Curitiba e residência em Cirurgia Plástica pelo Hospital Universitário Cajuru, em Curitiba (PR). Também possui pós-graduação em Psiquiatria pelo CENBRAP, formação que complementa sua visão sobre os aspectos emocionais e psicológicos envolvidos na relação dos pacientes com a própria imagem.

Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), atua há 21 anos na especialidade e já realizou mais de 5 mil cirurgias. Sua prática é voltada à cirurgia plástica estética, com ênfase em procedimentos de contorno corporal, mini lipoaspiração de recuperação rápida e cirurgias das mamas.

Ao longo da carreira, consolidou uma abordagem que alia excelência técnica, segurança e atendimento humanizado. Defende que a cirurgia deve respeitar a individualidade de cada paciente e ser compreendida como parte de um cuidado integral com a saúde e o bem-estar, e não apenas como uma transformação estética.

Para mais informações, acesse osite einstagram.

Fontes de Pesquisa:

Preocupação ou body shaming Caso de Ariana Grande expõe limites dos comentários sobre o corpo — g1
https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/08/04/preocupacao-ou-body-shaming-caso-de-ariana-grande-expoe-limites-dos-comentarios-sobre-o-corpo.ghtml

Críticas a Ariana Grande reacendem debate sobre transtornos entenda sinais — CNN Brasil
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/criticas-a-ariana-grande-reacendem-debate-sobre-transtornos-entenda-sinais/

Ariana Grande não está só O perigo da obsessão coletiva pela magreza extrema — Veja
https://veja.abril.com.br/cultura/ariana-grande-nao-esta-so-o-perigo-da-obsessao-coletiva-pela-magreza-extrema/

Facial filter use on TikTok and associations with facial dissatisfaction and body image concerns — Body Image / PubMed
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40233665/

(Crédito: Divulgação)

Inteligência Artificial Marco Dallegrave
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