Especialista explica que formato, posição, proporção e até o desgaste dos dentes podem impactar na percepção dos lábios e contornos faciais.
O Brasil está entre os países que mais movimentam o mercado de procedimentos estéticos. Segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), divulgados pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), foram realizados 3,3 milhões de procedimentos estéticos minimamente invasivos no país em 2023, colocando o Brasil na segunda posição do ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. O cenário ajuda a explicar a popularização de intervenções voltadas à aparência e também amplia a discussão sobre o que, de fato, contribui para a harmonia do rosto.
Em meio à busca por lábios mais definidos, contornos mais marcados e resultados considerados naturais, existe um elemento que muitas vezes passa despercebido: os dentes.
“A harmonização facial não depende apenas de preenchimentos e outros procedimentos estéticos. A estrutura dos dentes também exerce um papel importante no suporte dos lábios e nas proporções do terço inferior da face”, explica o especialista Dr. Johnny Moraes (https://www.instagram.com/drjohnnymoraes/), da Bayview Dentistry, na Flórida.
O dentista esclarece que formato, posição, proporção e desgaste dos dentes podem interferir na maneira como os lábios e o contorno facial são percebidos. Por isso, em alguns casos, buscar apenas mais volume por meio de preenchimentos pode não considerar todos os elementos envolvidos no equilíbrio da face.
A preocupação com a estética, no entanto, nem sempre vem acompanhada da mesma atenção ao sorriso. Segundo Johnny, dentes desgastados, alterações na posição dentária ou mudanças na estrutura que dá suporte aos lábios podem modificar a percepção do rosto como um todo.
“Os dentes fazem parte da estrutura que dá suporte aos lábios e ao terço inferior do rosto. Quando esse suporte não está adequado, o paciente pode sentir que falta alguma coisa no resultado estético, mesmo depois de realizar outros procedimentos”, explica.
Uma situação que chama a atenção do dentista ocorre com pacientes que já fizeram preenchimento labial antes de passar por uma reabilitação estética do sorriso. Após o tratamento odontológico, alguns relatam a impressão de que os próprios lábios ficaram mais evidentes.
“Já ouvi pacientes dizerem: ‘Parece que meus lábios ficaram maiores’. Mas não colocamos mais preenchimento. O que mudou foi a relação do sorriso com as estruturas ao redor, a partir da recuperação do suporte dentário”, afirma Johnny.
Para o especialista, o exemplo reforça a importância de observar o rosto de maneira integrada. Antes de simplesmente acrescentar volume, é necessário avaliar dentes, sorriso, lábios, proporções faciais e função, sempre respeitando as características individuais de cada paciente.
A discussão ganha relevância justamente em um momento de forte expansão dos procedimentos minimamente invasivos. A própria SBCP destaca que a busca por intervenções com menor tempo de recuperação e resultados mais naturais tem contribuído para a popularidade desse tipo de procedimento.
“Às vezes, melhorar a harmonia facial não significa adicionar mais. Significa recuperar uma estrutura que estava faltando e buscar equilíbrio de forma natural”, conclui o dentista.

Dr Johnny Moraes
