Deixar a climatização para o fim da obra, dimensionar o sistema apenas pela metragem e pensar somente na temperatura estão entre os erros que podem comprometer conforto, eficiência e acabamento
O segmento de médio e alto padrão aumentou em 25,8% o valor dos lançamentos imobiliários no Brasil em 2025, segundo a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e a Fipe. No mesmo ano, o país registrou sua sétima maior temperatura média desde 1961, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Nesse contexto, residências que concentram investimentos em arquitetura, iluminação, automação, revestimentos e mobiliário ainda podem esbarrar em três erros básicos: deixar a climatização para o fim da obra, dimensionar o sistema apenas pela metragem e pensar somente na temperatura. As falhas podem afetar o conforto, aumentar o consumo de energia, interferir na estética e exigir alterações depois que o imóvel já está pronto.
Patrick Galletti, engenheiro mecatrônico, pós-graduando em Engenharia de Climatização e CEO do Grupo RETEC, empresa especializada em infraestrutura climática, qualidade do ar e ambientes críticos, afirma que a principal mudança está em deixar de tratar essa infraestrutura como uma decisão posterior. “Quando a climatização entra ainda na concepção, é possível compatibilizar equipamentos, dutos, tubulações e saídas de ar com o restante do projeto. Quando ela chega no final, muitas vezes precisamos trabalhar com o espaço que sobrou”.
A discussão acompanha uma mudança no próprio conceito de imóvel de luxo. Em debate realizado na Convenção Secovi-SP de 2025, tecnologia e sustentabilidade apareceram entre os elementos que vêm redefinindo os empreendimentos de alto padrão. Na prática, isso amplia a atenção dada àquilo que não necessariamente aparece nas fotografias de uma residência, mas interfere diretamente na experiência de morar.
Climatização no fim da obra pode colocar o acabamento em risco
O primeiro erro é definir o sistema quando forro, iluminação, marcenaria e outros elementos já estão executados ou praticamente fechados. Equipamentos, tubulações, dutos, grelhas e acessos técnicos precisam ocupar espaços específicos e, quando eles não foram previstos, alguma parte do projeto pode ter de ceder.
Um rebaixo adicional no teto, uma abertura na marcenaria ou uma saída de ar em um ponto diferente do planejado originalmente podem ser consequências dessa incompatibilidade. Há ainda um problema que costuma aparecer somente depois da entrega: a dificuldade de acessar máquinas e componentes durante a manutenção.
É justamente nesse ponto que ganha espaço a chamada climatização invisível. O conceito parte da integração da infraestrutura ao projeto para reduzir a interferência visual de equipamentos, grelhas e difusores, sem prejudicar a distribuição do ar ou o acesso técnico.
“O objetivo da climatização invisível não é simplesmente esconder um equipamento. É fazer com que toda a infraestrutura seja prevista para funcionar sem disputar atenção com o ambiente. Para isso, é preciso pensar em instalação e manutenção antes de o acabamento estar concluído”, explica Galletti.
Em residências de alto padrão, essa compatibilização permite, por exemplo, posicionar difusores de maneira mais discreta e definir previamente áreas técnicas para os equipamentos, mantendo a proposta visual dos espaços.
Metragem não conta toda a história do ambiente
O segundo erro está em escolher a capacidade do sistema apenas pela quantidade de metros quadrados. A área é uma das informações necessárias para o dimensionamento, mas não determina sozinha a carga térmica.
Incidência solar, orientação da residência, tamanho das superfícies de vidro, pé-direito, número de ocupantes, iluminação, equipamentos eletrônicos e forma de utilização interferem no comportamento térmico de cada espaço.
Essas variáveis ganham importância justamente em imóveis de alto padrão, nos quais grandes esquadrias, integração entre áreas internas e externas e pés-direitos elevados podem fazer parte da proposta arquitetônica.
“Duas salas com a mesma metragem podem exigir soluções completamente diferentes. Uma pode receber sol durante várias horas e ter grandes áreas envidraçadas, enquanto a outra é mais protegida. Dimensionar apenas pelo tamanho pode resultar em um sistema que não entrega o desempenho esperado”, ressalta o engenheiro.
Temperatura não é sinônimo de climatização
O terceiro erro é pensar apenas em quantos graus o ambiente deve atingir. Um projeto de climatização também pode envolver renovação e filtragem do ar, controle de umidade, automação, distribuição adequada e planejamento da manutenção.
A forma como uma residência é ocupada também precisa entrar nessa conta. Quartos, salas, home office e áreas de lazer possuem horários e usos diferentes, mas um sistema concebido sem essa análise pode fazer todos os espaços operarem da mesma maneira.
O controle por zonas permite justamente separar essa operação. Com automação e sistemas adequados, diferentes áreas podem ser controladas individualmente de acordo com a utilização da casa.
“Não há necessidade de climatizar uma residência inteira com a mesma intensidade quando apenas parte dela está ocupada. O controle individual permite responder à rotina dos moradores e evita manter ambientes vazios funcionando sem necessidade”, aponta Galletti.
A lógica também pode ser aplicada à qualidade do ar. Renovação, filtragem e controle de umidade precisam ser avaliados de acordo com características do imóvel e sua utilização, especialmente em ambientes que permanecem fechados por longos períodos.
O luxo também está no que não aparece
Para Galletti, uma das mudanças na concepção das residências de alto padrão está justamente em dedicar à infraestrutura o mesmo nível de planejamento reservado aos elementos visíveis.
Isso inclui prever como o sistema será instalado, utilizado e mantido ao longo dos anos. Uma máquina completamente escondida, mas sem acesso técnico adequado, pode obrigar a retirada de partes do forro quando uma intervenção se tornar necessária.
“Uma boa climatização é percebida pelo conforto, não pela presença dos equipamentos. Mas chegar a esse resultado exige planejamento técnico. Quando o dimensionamento, renovação do ar, automação, manutenção e integração estética são pensados desde o início, reduzimos a possibilidade de ter de intervir depois em uma casa que acabou de ficar pronta”, conclui Galletti.
Sobre Patrick Galletti
Patrick Galletti é Engenheiro Mecatrônico, pós-graduando em Engenharia de Climatização, pós-graduando em Qualidade do Ar e especialista no “Impacto das mudanças climáticas na saúde das pessoas”, pela Universidade de Harvard. Possui experiência em engenharia de orçamento, gerenciamento de riscos de construções, obras e operações offshore em uma das maiores empresas do Brasil, além de onze anos de atuação no mercado de climatização. Atualmente, é CEO do Grupo RETEC, uma empresa pioneira e referência com mais de 44 anos de atuação no mercado de AVAC-R (aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração).
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Sobre o Grupo RETEC
O Grupo RETEC é referência, há mais de 44 anos, no setor de climatização e refrigeração no Distrito Federal e Goiás, oferecendo soluções integradas para instalação de ar-condicionado, ventilação, isolamento térmico e renovação de ar. Com uma equipe altamente qualificada e parcerias com fabricantes líderes, a empresa garante acesso às tecnologias mais avançadas e inovadoras do mercado. Oferecendo suporte técnico especializado e produtos com pronta-entrega, o Grupo RETEC está comprometido com a excelência, inovação e satisfação de seus clientes em projetos de diferentes portes.
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Fontes de pesquisa
https://www.abrainc.org.br/dados-de-mercado/indicadores-publicacoes/2026/mar%C3%A7o/fevereiro-2026-
https://portal.inmet.gov.br/noticias/ano-de-2025-foi-o-s%C3%A9timo-mais-quente-no-brasil-desde-1961
https://secovi.com.br/mercado-de-luxo-no-brasil-e-destaque-na-convencao-secovi-sp/
(Crédito: Divulgação)


