Ator contou que descobriu a doença durante um check-up após o tratamento da Covid; gastroenterologista explica sinais de alerta, exames e hábitos que protegem a saúde intestinal
O ator Lúcio Mauro Filho, de 52 anos, revelou pela primeira vez que enfrentou um câncer no intestino durante a pandemia. Segundo o artista, a doença foi descoberta durante um check-up realizado depois de um período de tratamento e acompanhamento médico após uma Covid-19 considerada grave. Ele contou que decidiu manter o diagnóstico em segredo por mais de cinco anos.
A descoberta durante um check-up chama atenção para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer colorretal, que envolve tumores do cólon e do reto. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença está entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil e, quando identificada precocemente, apresenta altas possibilidades de tratamento e cura.
A seguir, a Dra. Cibele Tessarolli, médica gastroenterologista e endoscopista, explica sete pontos importantes para cuidar da saúde intestinal.
1. Não espere aparecerem sintomas para investigar
O câncer de intestino pode se desenvolver silenciosamente, especialmente em suas fases iniciais. Por isso, exames de rastreamento têm papel importante na identificação de alterações antes mesmo do surgimento de sintomas.
“O câncer colorretal pode evoluir durante algum tempo sem provocar sinais evidentes. Por isso, não devemos esperar que apareça sangue nas fezes ou alguma dor para procurar atendimento. O rastreamento permite identificar alterações precocemente e, em alguns casos, até encontrar e retirar pólipos antes que eles evoluam para um câncer”, explica Dra. Cibele.
2. Sangue nas fezes merece atenção
Sangramento nas fezes não deve ser automaticamente atribuído a hemorroidas ou outras condições benignas. Alterações persistentes precisam ser investigadas por um médico, principalmente quando aparecem associadas a outros sintomas.
“O sangue nas fezes é um sinal que merece investigação. Mesmo que a pessoa já tenha histórico de hemorroidas, não podemos presumir que todo sangramento tenha essa origem. É importante avaliar o contexto clínico e, quando indicado, realizar exames para identificar a causa”, afirma a gastroenterologista.
3. Mudanças no funcionamento do intestino também são sinais de alerta
Alterações persistentes no hábito intestinal, como períodos prolongados de prisão de ventre ou diarreia, mudança no formato das fezes, sensação de evacuação incompleta e alterações que não fazem parte do padrão habitual devem ser avaliadas.
“Uma mudança persistente no funcionamento do intestino merece atenção, principalmente quando não existe uma explicação clara para ela. Diarreia ou constipação recorrentes, mudança no calibre das fezes e alteração do ritmo intestinal são sinais que precisam ser contextualizados pelo médico”, orienta Dra. Cibele.
4. Perda de peso sem explicação também deve ser investigada
Emagrecer sem estar fazendo dieta ou aumentando a atividade física pode ter diversas causas e nem sempre está relacionado ao câncer. Entretanto, quando a perda de peso é involuntária e aparece acompanhada de outros sintomas, é importante procurar avaliação médica.
“Perda de peso sem causa aparente é um sinal que não deve ser ignorado. Ela pode estar relacionada a diversas doenças, inclusive problemas gastrointestinais. Quando aparece junto com alterações intestinais, anemia, sangramento ou dor abdominal, a investigação precisa ser ainda mais cuidadosa”, explica.
5. Colonoscopia pode identificar lesões antes do câncer
A colonoscopia permite visualizar a parte interna do intestino grosso e identificar pólipos e outras alterações. Quando um pólipo é encontrado, ele pode ser retirado durante o próprio exame, dependendo das características da lesão.
“Uma das grandes vantagens da colonoscopia é justamente a possibilidade de encontrar lesões pré-malignas e removê-las. Dessa maneira, o exame não serve apenas para diagnosticar um câncer já instalado, mas também pode contribuir para a prevenção da doença”, destaca Dra. Cibele.
O INCA explica que grande parte dos tumores colorretais começa a partir de pólipos, que são lesões inicialmente benignas, mas que podem sofrer alterações ao longo do tempo.
6. Alimentação e estilo de vida também fazem parte da prevenção
A prevenção do câncer colorretal não depende de uma única medida. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, manutenção do peso adequado, redução do consumo de carnes processadas e moderação no consumo de bebidas alcoólicas fazem parte de hábitos associados à redução de riscos.
“Não existe um alimento milagroso capaz de impedir o câncer. O que temos é um conjunto de hábitos que contribuem para uma vida mais saudável. Ter uma alimentação rica em fibras, consumir frutas, verduras e legumes, praticar atividade física e evitar excesso de álcool e alimentos ultraprocessados são atitudes importantes para a saúde intestinal”, afirma a especialista.
7. Rastreamento deve levar em conta idade e histórico familiar
Em 2026, o Ministério da Saúde anunciou um novo protocolo nacional de rastreamento do câncer colorretal no SUS, com o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como exame de referência para pessoas assintomáticas de 50 a 75 anos. A estratégia busca identificar precocemente possíveis sinais da doença.
Entretanto, pessoas com histórico familiar de câncer colorretal, síndromes hereditárias, doenças inflamatórias intestinais ou outros fatores de risco podem precisar de acompanhamento diferente e começar a investigação mais cedo.
“Não existe uma recomendação única para todas as pessoas. A idade, o histórico familiar, os antecedentes pessoais e outros fatores de risco precisam ser considerados. Quem tem familiares de primeiro grau com câncer de intestino deve conversar com um gastroenterologista para definir quando começar e qual estratégia de rastreamento é mais adequada”, finaliza Dra. Cibele.
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