Edimara Dal Pozzo, da Royal Eagle Insurance (https://www.instagram.com/royaleagleins/), explica o que muda no acesso ao crédito fiscal do Marketplace e quais opções podem ganhar espaço para famílias afetadas
As mudanças previstas para o seguro-saúde nos Estados Unidos a partir de 2027 podem levar milhares de famílias a rever a forma como contratam sua cobertura médica. Entre as alterações está uma restrição nas categorias de estrangeiros que poderão se qualificar para o Premium Tax Credit, benefício utilizado para reduzir o custo de planos adquiridos pelo Marketplace.
Para Edimara Dal Pozzo, especialista em seguros da Royal Eagle Insurance, o novo cenário exige planejamento antecipado e, principalmente, uma análise mais individualizada da realidade de cada família.
“Estamos acompanhando todas essas mudanças de perto e já começamos a orientar nossos clientes. O mais importante é entender que cada família tem uma realidade diferente. Existem status migratórios, necessidades e orçamentos distintos, e nosso trabalho é justamente analisar cada situação e encontrar a solução que faça mais sentido”, explica.
Uma das principais dúvidas é o que poderá acontecer com quem atualmente recebe ajuda para pagar o seguro e deixar de se enquadrar nas regras do benefício.
Segundo Edimara, existem dois caminhos principais. O primeiro é continuar contratando um plano pelo Marketplace, mas pagando o valor integral da mensalidade, sem o Premium Tax Credit. Dependendo do perfil da família, porém, esse custo pode pesar significativamente no orçamento.
A segunda possibilidade é avaliar produtos disponíveis fora do Marketplace.
“Alternativas como planos de curto prazo, os chamados Short-Term Medical, planos de indenização ou benefício fixo, conhecidos como Fixed Indemnity, e seguros suplementares podem ganhar espaço. Existem ainda coberturas para acidentes, hospitalização e doenças graves, além de produtos relacionados à telemedicina e saúde virtual”, explica Edimara.
Ela ressalta, porém, que esses produtos não devem ser tratados automaticamente como substitutos de um plano médico abrangente regulamentado pela ACA. Dependendo da modalidade, podem existir exclusões para condições preexistentes, limites de benefício e regras específicas.
“Em alguns casos, a alternativa poderá estar justamente em uma combinação de produtos, de acordo com o perfil e o orçamento da família. Mas é fundamental entender exatamente o que está sendo contratado e quais são as limitações daquela cobertura”, afirma.
Mensalidade mais barata nem sempre significa menor custo
Outro ponto que tende a ganhar importância em 2027 é a comparação entre os diferentes tipos de cobertura disponíveis.
Segundo Edimara, olhar apenas para o preço mensal pode levar a uma escolha inadequada.
“Um plano mais barato pode se tornar muito caro justamente no momento em que a família mais precisar utilizá-lo”, alerta.
Na avaliação, devem entrar fatores como deductible, copays, coinsurance, limite máximo de gastos do segurado, rede de médicos e hospitais, cobertura para consultas, exames, emergências e hospitalizações, medicamentos, condições preexistentes, períodos de carência e eventuais limites de benefícios.
O perfil da família também precisa entrar nessa conta.
“Idade, frequência de utilização dos serviços médicos, medicamentos de uso contínuo, necessidade de especialistas e até a capacidade financeira de enfrentar uma emergência ou uma hospitalização fazem diferença. Não existe um plano que seja o melhor para todo mundo”, diz.
Para a especialista, o objetivo deve ser encontrar um equilíbrio entre mensalidade, exposição financeira e proteção contra situações capazes de comprometer o orçamento familiar.
Planejamento antes de 2027
Edimara acredita que as mudanças também devem tornar o trabalho dos profissionais de seguros mais consultivo.
“Não é simplesmente vender um plano. É entender a composição daquela família, sua situação, renda, necessidades de saúde e orçamento. Quanto mais personalizado for esse atendimento, maior a chance de encontrar uma alternativa adequada”, explica.
Para brasileiros que vivem nos Estados Unidos, ela recomenda que essa análise comece antes da entrada em vigor das novas regras.
“Meu conselho é não esperar 2027 chegar para começar a entender o que muda. Informação traz tranquilidade. Quando você conhece as alternativas com antecedência, consegue se planejar e tomar uma decisão muito mais segura para você e para sua família”, afirma.
Com atendimento voltado especialmente à comunidade brasileira nos Estados Unidos, Edimara afirma que a Royal Eagle Insurance já analisa novos produtos e possibilidades diante do cenário previsto para o próximo ano.
“O mercado está mudando e nós também estamos evoluindo junto com ele. Nosso compromisso é continuar estudando possibilidades e buscando soluções para que o brasileiro tenha informação para tomar uma decisão consciente e proteger sua família”, conclui.

Edimara Dal Pozzo
