Primeiro dia do evento, nesta terça-feira (8), teve discussões sobre os desafios da equinocultura, biomecânica, manejo, saúde e alta performance no Parque Granja do Torto
Bem-estar animal, manejo, saúde e os desafios de conciliar os cuidados com os cavalos e a alta performance estiveram no centro das discussões do primeiro dia do Seminário do Cavalo, realizado nesta terça-feira (8), no Parque Granja do Torto, em Brasília. O encontro reuniu mais de 200 pessoas, entre criadores, médicos-veterinários, estudantes e profissionais ligados à equinocultura.
A programação técnica começou com a palestra magna “Um Relacionamento em Movimento: os desafios da equinocultura no século XXI”, conduzida pela médica-veterinária Cláudia Leschonski, da Universidade do Cavalo, de São Paulo. Para ela, reunir diferentes profissionais em um mesmo espaço é fundamental diante da complexidade do setor. “Não é só genética. Até um cavalo dar o retorno esperado existe um caminho muito longo, que passa pelo ambiente, instalações, cuidados sanitários, treinadores e cavaleiros. É um emaranhado complexo e precisamos de vários especialistas pensando juntos sobre os próximos passos. Acho que é isso que estamos fazendo aqui”, afirmou Cláudia.

A médica-veterinária também destacou a importância da troca de experiências proporcionada pelo encontro. “Nada substitui o evento presencial. É onde acontece o networking, onde as pessoas se olham olho no olho e conseguimos sentir o público e o termômetro do mercado. Essas trocas acontecem entre as palestras e entre os próprios palestrantes”, disse.
Na sequência, o primeiro painel discutiu biomecânica dos equinos, com foco em movimento, conformação e saúde. Leandra Leal e Luciano Cedraz participaram da conversa, mediada por Diego Almeida. Entre os estudantes que acompanhavam as discussões estava Lívia Mello, aluna do quarto semestre de Medicina Veterinária. “É uma oportunidade muito boa de estar junto de profissionais tão qualificados, que vão nos ajudar a ingressar no mercado de trabalho e a entender um pouco mais desse mercado. Acho muito importante pegar a perspectiva de cada um e agregar isso à nossa vida acadêmica e profissional”, contou Lívia.
À tarde, o olhar se voltou para o ambiente em que os animais vivem. O segundo painel tratou de “Ambiência e Manejo: Construindo um Ambiente Saudável para o Cavalo”, com Rodrigo Arruda, Débora Rodrigues de Azevedo e Jéssica Maresch de Araújo Silva. A discussão abordou a construção de um ambiente saudável para os cavalos e deu sequência ao eixo de bem-estar proposto para o primeiro dia.
O último painel colocou uma pergunta direta no centro da conversa: “Bem-estar x Alta Performance: Existe Conflito?”. Almir Vieira, Antônio Raphael e Lizie Buss participaram do debate, mediado pelo presidente do Sindicato dos Criadores de Bovinos, Bubalinos e Equídeos, Fernando Gonçalves Costa. “Brasília reúne todas as modalidades, todas as classes esportivas ou de lazer e diferentes segmentos equestres. É muito importante ter um evento anual fixo, mostrando as tendências, a importância do bem-estar e do cuidado, para que todas essas pessoas possam ter acesso, se renovar e ter mais conhecimento”, afirmou Fernando.
Granja do Torto reúne diferentes segmentos
A escolha da Granja do Torto como sede também foi destacada pelos participantes. Para Eduardo Schulter, superintendente do Senar, o seminário amplia uma relação que já existe entre o parque e o universo equestre. “Aqui o cavalo é discutido durante todo o ano, com provas, eventos e escolinhas. O Senar já faz um trabalho com cursos de doma, tratador e rédeas. Trazer essa discussão para a Granja do Torto é extremamente importante para trabalhar a cadeia do cavalo”, avaliou.
Foi justamente a convivência com provas e competições realizadas no parque que, segundo a organizadora Lydia Costa, ajudou a tirar o seminário do papel. Nesta primeira edição, a intenção é abrir espaço para diferentes olhares sobre uma atividade que vai além das pistas e do ambiente rural. “O cavalo está na vida das pessoas desde a antiguidade. Hoje, está nas atividades do agro, no esporte, no lazer, nas cavalgadas, nos passeios e também na equoterapia. Ele está tanto na área rural quanto na vida das pessoas que vivem na área urbana. Essa transversalidade é muito importante e precisa ser mais difundida”, afirmou Lydia.
A organizadora já projeta a continuidade do encontro. “Estamos na nossa primeira edição, lançando a semente. A nossa expectativa, assim como a dos nossos parceiros, é fazer no ano que vem uma segunda edição de forma mais grandiosa, com mais parceiros envolvidos e também com novos temas”, disse.
O Seminário do Cavalo continua nesta quarta-feira (9). O segundo dia terá debates sobre nutrição, treinamento, saúde esportiva, mercado financeiro equestre e longevidade dos equinos atletas. A programação também sai do auditório e chega às pistas com oficinas práticas de casqueamento, doma, marcha e morfologia do Mangalarga Marchador, caracterizações raciais, horsemanship e volteio na equoterapia.
(Crédito: Débora Oliveira/Conexão Press)
